Introdução
A transição de carreira é um movimento cada vez mais comum no mundo profissional atual, principalmente porque são impulsionadas por mudanças tecnológicas, transformações no mercado de trabalho e, principalmente, pela busca de realização pessoal. No entanto, para as mulheres essa jornada é marcada por desafios únicos, que vão além da simples aquisição de novas habilidades. A cobrança por multitarefas, o preconceito velado, a insegurança diante do novo e os obstáculos relacionados à autoridade e ao etarismo criam uma rede complexa de barreiras que muitas precisam enfrentar. A pauta desta semana busca explorar essas perspectivas, trazendo dados e reflexões que ajudem a entender por que a transição de carreira das mulheres é, muitas vezes, uma batalha silenciosa e sofrida. Além disso, vamos discutir como a sociedade e as empresas podem contribuir para tornar esse processo mais justo e inclusivo.
A Mulher, o peso das Multitarefas e a Cobrança Social
Desenvolvimento
A sociedade ainda espera que as mulheres sejam as principais responsáveis pelo
cuidado da casa e da família, mesmo quando estão construindo carreiras
ambiciosas. Segundo um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT),
as mulheres dedicam, em média, 4,5 horas por dia a tarefas domésticas não
remuneradas, enquanto os homens dedicam apenas 1,5 hora. Essa sobrecarga
dificulta a dedicação necessária para uma transição de carreira, que exige
tempo para estudos, networking e planejamento. A cobrança por ser
\"multitarefa\" muitas vezes se transforma em um fardo que limita o
potencial de crescimento profissional.
Além disso, a pandemia intensificou essa desigualdade. Um relatório da McKinsey & Company e da LeanIn.Org revelou que 1 em cada 4 mulheres considerou deixar o mercado de trabalho ou reduzir suas horas durante a pandemia, em comparação com 1 em cada 5 homens. Isso ocorreu porque muitas mulheres assumiram a maior parte das responsabilidades domésticas e de cuidado com os filhos durante o período de isolamento social. Para aquelas que desejam mudar de carreira, essa realidade pode adiar ou até inviabilizar seus planos.
Com uma carga tão pesada, a conta não fecha. Grosseiramente, vamos dar um exemplo, com 8h de trabalho formal, 4,5h em tarefas domésticas, 2h de estudo, pois para uma transição é necessário aprender novas habilidades, 1h ou 2h para dar atenção aos filhos e ao marido, 7h ou 8h de sono que é o saudável, além de tudo isso, tem de tirar horas para se cuidar, estar sempre bonita ou sofre o falatório da sociedade.
Então te pergunto, o que favorece a mulher em uma transição?
Veja bem, não quero generalizar, aqui é o exemplo de uma mulher classe média que não pode pagar uma babá, empregada doméstica para cuidar da casa e do jantar das crianças, enquanto ela estuda e corre atrás da sua transição, ou está em um belo de spa ou clínica de estética sendo mulher e se cuidando. E não tem nenhum problema nisso, temos que nos cuidar, mas infelizmente não é realidade de boa parte das mulheres brasileiras que lutam por carreira, posição etc.
Ainda há muitos preconceitos e falta de credibilidade
Quando falamos em mudança de carreira da mulher, especialmente quando envolve áreas tradicionalmente dominadas por homens, como tecnologia ou engenharia, esta expõe as mulheres a preconceitos sutis e não tão sutis para não dizer outra coisa. Um relatório da McKinsey & Company aponta que 42% das mulheres já enfrentaram situações de discriminação de gênero no ambiente de trabalho (para aprofundar no tema “Igualdade de gênero da mulher no mercado de trabalho” leia também a pauta anterior). Quando decidem mudar de área, muitas vezes precisam provar sua competência de forma mais intensa do que os homens, enfrentando questionamentos sobre sua capacidade técnica ou liderança.
Um exemplo claro disso é o setor de tecnologia, onde as mulheres representam apenas 25% da força de trabalho, segundo dados da AnitaB.org, organização global que promove a inclusão de mulheres na área de tecnologia. Além disso, muitas mulheres relatam sentir-se isoladas ou subestimadas em ambientes majoritariamente masculinos. Essa falta de representatividade pode desencorajar muitas profissionais a buscar oportunidades em áreas que poderiam ser altamente recompensadoras.
Não tem como fugir dos Medos e Inseguranças - O Fantasma do \"E Se?\"
O medo de falhar é um sentimento comum em qualquer transição, mas para as
mulheres, ele é amplificado pela pressão social e pela autocrítica. Um estudo
publicado na Harvard Business Review revela que as mulheres
tendem a se candidatar a vagas apenas quando atendem a 100% dos requisitos,
enquanto os homens se candidatam mesmo atendendo a 60%. Essa insegurança pode
adiar ou até impedir a mudança de carreira, perpetuando a sensação de estagnação.
Além disso, muitas mulheres enfrentam a chamada “síndrome da impostora\", um fenômeno psicológico em que indivíduos duvidam de suas conquistas e têm medo de serem expostos como \"fraudes\". Segundo uma pesquisa da KPMG, 75% das mulheres executivas já experimentaram esse sentimento em algum momento de suas carreiras. Para aquelas que estão em transição, a síndrome da impostora pode ser um obstáculo significativo, minando a confiança necessária para dar o salto profissional.
Estar em transição é verdadeiro desafio, sair de uma área que já domina, já conquistou seu espaço para recomeçar do zero não fácil para ninguém, muito mesmo para uma mulher, mas é possível. Muitas mulheres buscam por realização, melhores condições de trabalho, bons benefícios e salários, cargos de liderança e outras encaram o empreendedorismo.
Uma transição requer planejamento, saber para qual direção e objetivos querem alcançar e o qual ao caminho a ser percorrido para chegar aonde deseja. E necessário mudar hábitos que muitas vezes envolvem economizar, dormir mais tarde, deixar seu filho com alguém, enfim, envolvem muitas nuances.
Duas barreiras difíceis e interligadas: a Autoridade e o Etarismo
A questão da autoridade é outro ponto crítico. Mulheres que assumem posições de liderança em novas áreas muitas vezes enfrentam resistência, especialmente se forem mais velhas. Infelizmente, o etarismo, ou discriminação por idade, é um obstáculo real. De acordo com uma pesquisa da Forbes, 58% das mulheres acima dos 40 anos relatam ter sofrido algum tipo de preconceito relacionado à idade no ambiente de trabalho. Para aquelas que decidem mudar de carreira mais tarde, o desafio é duplo, pois precisam provar que são capazes e combater estereótipos associados ao envelhecimento. Depois de todos os desafios que normalmente as mulheres enfrentam para serem reconhecidas ainda tem isso.
Um exemplo disso é a Área de tecnologia, onde a juventude é frequentemente valorizada em detrimento da experiência. Um estudo da Pew Research Center mostrou que 41% dos trabalhadores com mais de 50 anos já enfrentaram discriminação por idade no local de trabalho. Para as mulheres, essa discriminação é ainda mais acentuada, já que a sociedade muitas vezes associa a idade avançada das mulheres à perda de relevância ou capacidade.
A Importância do Apoio e da Rede de Suporte
Apesar dos desafios, muitas mulheres têm encontrado força em redes de apoio,
sejam elas formadas por mentoras, colegas ou comunidades online. Iniciativas
como grupos de networking feminino e programas de mentoria têm se mostrado
fundamentais para encorajar e guiar mulheres em transição de carreira. Além
disso, empresas que adotam políticas de diversidade e inclusão estão ajudando a
criar ambientes mais acolhedores para essas profissionais.
Um exemplo inspirador é o movimento Women Who Code, uma organização global que oferece recursos, treinamentos e apoio para mulheres que desejam ingressar ou se destacar na área de tecnologia. Desde sua fundação, a organização já impactou mais de 290 mil mulheres em 122 países, mostrando como a colaboração e o apoio mútuo podem fazer a diferença. Eu como profissional e mulher que concilia profissões entre Área de Tecnologia e Sexologia também estarei à disposição para lhe direcionar a ser líder e a conquistar seu espaço, basta me seguir nas redes @fabi03oliveira.
O Papel das Empresas na Promoção da Igualdade
As empresas também têm um papel crucial na facilitação da transição de carreira
para as mulheres. Políticas como horários flexíveis, licenças parentais
compartilhadas e programas de capacitação podem ajudar a reduzir as barreiras
enfrentadas pelas profissionais. Além disso, a promoção de uma cultura
organizacional que valoriza a diversidade e a inclusão é essencial para criar
um ambiente onde as mulheres se sintam apoiadas e encorajadas a buscar novas
oportunidades. As empresas precisam entender que ter diversidade em cargos de
liderança tem mais chance de lucratividades acima da média.
Histórias Inspiradoras de Reinvenção
Para finalizar, é importante destacar histórias de mulheres que superaram os
desafios da transição de carreira e alcançaram o sucesso. Um exemplo é o da
brasileira Camila Achutti, fundadora da Mastertech e uma das
principais vozes da inclusão de mulheres na tecnologia no Brasil. Após se
formar em Ciência da Computação, Camila percebeu a falta de representatividade
feminina na área e decidiu criar uma empresa que oferece cursos e workshops
para capacitar profissionais de todas as idades e gêneros. Sua trajetória é um
exemplo de como a persistência e a paixão podem transformar desafios em
oportunidades.
Além da Camila e tantas outras, eu sou prova viva que é possível. Iniciei minha carreira na Área Comercial e quando percebi que não movia meu coração, me deparei com a Área de Tecnologia e fiz minha primeira transição, uma coisa que me fez ficar foi, eu não me apeguei na ideia que era uma área predominantemente masculina, eu simplesmente atuei como se fosse qualquer área e segui. Isso foi um divisor de águas e claro, tive que estudar muito, dedicar tempo, trabalhar finais de semana, mas cheguei à Gerência como eu almeERROR. Ter ambição de ser Gerente de Projetos, me ajudou a encarar muitos desafios e consegui. E te digo mais, ainda tirei um sonho do papel que era ser Sexóloga e ajudar as pessoas a serem felizes na cama, voltei a estudar, me dedicar e hoje ajudo muitas pessoas, então, pare de colocar títulos, empecilhos e comece tirar seu sonho do papel agora, é possível.
Vale a pena lutar
Conclusão
A transição de carreira é um processo desafiador para qualquer pessoa, mas para
as mulheres, ele é permeado por obstáculos que muitas vezes passam
despercebidos. A cobrança por multitarefas, o preconceito, a insegurança, a
luta por autoridade e o etarismo são realidades que precisam ser discutidas e
combatidas. No entanto, é importante destacar que, apesar das dificuldades,
muitas mulheres têm encontrado maneiras de superar essas barreiras, seja
através de redes de apoio, resiliência ou da busca por ambientes mais
inclusivos. A mudança de carreira pode ser assustadora, mas também é uma
oportunidade poderosa de reinvenção e crescimento. Para as mulheres, essa
jornada não é apenas sobre mudar de emprego, mas sobre redefinir seu lugar no
mundo. E, como sociedade, cabe a todos nós garantir que esse caminho seja cada
vez mais acessível e justo.
Por isso mulher, não desista, eu não desisti, a Camila Achutti e tantas outras também não. Eu chorei, sorri, eu cansei, eu estudei demais, eu pedi ajuda, eu fiz renúncias, foi fácil? Não, mas quem disse que não é possível? Para encerrar esta pauta, eu vou dizer o que estava o tempo todo na minha cabeça, “é possível”, “eu consigo”, “só enxergo oportunidades e não desafios” “qual o passo a passo para chegar à Gerência”. E assim fiz meu planejamento e cheguei ao alvo.
Sucesso mulher, lembre-se é mindset, acredite que você pode. E siga nas redes sociais, Liderança @fabi03oliveira e Sexualidade @fabiruff.